terça-feira, 20 de agosto de 2013
Maverick – A Lenda Sedenta
Mocinho norte americano que fez fama de vilão no Brasil., em 1973, chega para entrar na lista dos mais saudosos e apreciados carros fabricados no nosso país.
Em 1969, pouco antes da crise internacional do petróleo, para conter a invasão dos carros europeus e japoneses, a Ford norte americana lançou o Maverick. Compacto (pelo menos para o padrão norte americano), de fácil e barata manutenção, design inspirado no Ford Mustang e pensado para a família com um leve toque esportivo.
Considerado pela própria empresa como o “anti-fusca”, foi um sucesso de vendas nos Estados Unidos com 579 mil unidades vendidas em um ano de fabricação. Em maio de 1973, no salão do automóvel de São Paulo, a Ford exibia para o Brasil seu esportivo fast-back, o mesmo projeto norte americano, mas fabricado em São Bernardo do Campo.
Nessa época, o mercado dos médio-compactos crescia no nosso país. A Chrysler lançara o Dodge 1800 (dodginho), a Volkswagen lançara a Brasília (o Fusca brasileiro/quadrado) e o Passat. Uma curiosidade: depois de meses de pesquisa de mercado, a Ford projetou o lançamento do Taunus, um europeu médio, e abandonou o projeto por ser inviável em termos de produção.
O Maverick foi lançado com dois modelos: Super e Super Luxo, ambos com motor 6 cilindros de 3.0 litros, que tinha uma autonomia de 6,3 Km/l e custava 30.559 Cruzeiros, quase o dobro do valor do Fusca. Ainda no mesmo ano, atendendo ao apelo do público por um carro de fato mais possante, a Ford apresenta o modelo GT, com motor V8 (importado) de 4.95 litros, modelo que oferecia direção hidráulica e pintura metálica como opcionais.
No final de 1973, foi apresentado ao mercado a versão 4 portas, com um entre eixos mais longo e mais espaço para os passageiros do banco traseiro. Uma clara declaração de que a Ford queria mesmo disputar espaço com o Chevrolet Opala, mas a versão não agradou o mercado.
Com a crise do petróleo, e uma autonomia que rendeu o apelido “bebarrão” aos “Mavecos”, em 1979, com pouco mais de 100 mil unidades vendidas em seis anos de produção, a Ford resolveu substituir o Maverick pelo Corcel II, decisão que até hoje é lamentada pelos amantes da lenda urbana automotiva (naturalizada) brasileira.
Entre 1973 e 77 o Maverck foi utilizado nas categorias Campeonato Brasileiro de Turismo, Endurance e na antiga Divisão 3. Uma fera nas pistas.
(Fotos: Google)
domingo, 18 de agosto de 2013
Santa Matilde – O Automóvel
Fruto da loucura ou teimosia, nascia em 1978 o melhor automóvel cupê já fabricado no Brasil. Santa Matilde, o automóvel.
Tudo Começou em 1975, quando o dr. Humberto Pimentel, proprietário de um Porshe Targa 911S, assim como todos os brasileiros que possuíam carros importados, viu-se obrigado a aposentar sua máquina. Tudo porque o governo brasileiro proibiu a importação de automóveis e peças, tornado impossível a manutenção dos mesmos. Nessa época, a indústria brasileira lança um esportivo que se tornaria o xodó da juventude: o Puma GTB. Considerado por muitos, até então, o melhor esportivo nacional, o dr. Humberto não pensou duas vezes: logo comprou um exemplar pra ele. Existem duas versões para o motivo pelo qual ele resolveu fabricar seu próprio automóvel:
A primeira e mais aceita pelos colecionadores, é que após a compra do Puma GTB e da decepção [até porque ele saiu de um Porshe para um Puminha neh!], ele sugeriu ao fabricante, algumas mudanças no projeto, mudanças que não foram aceitas.
A outra, sugere que o dr. Humberto esperou muito para poder dirigir seu GTB, já que a demanda era maior que a produção, a Puma demorava muito para entregar suas encomendas.
O desejo no coração, a ideia na cabeça e o dinheiro no bolso: o primeiro passo foi dado. O projeto criado, a equipe reunida e o primeiro protótipo fica pronto dois anos depois. Linhas modernas, preocupação com segurança, conforto e desempenho. Após meses de tentativas para equipa-lo com motor Alfa Romeu, o projeto ganhou o motor 4.1 litros em 6 cilindros da Chevrolet, o mesmo que equipava os saudosos Opalas.
Para tristeza dos amantes do SM, o protótipo número 01, foi totalmente destruído pelo seu idealizador. Como haviam falhas estruturais, ergométricas e pouca dirigibilidade, após o primeiro passeio do dr. Humberto com o SM01, indo da fábrica para o restaurante “Choupana”, na volta, ele por impulso, parou o protótipo na frente da fábrica e tentou atear fogo no carro, sendo contido pelos funcionários da empresa.
Com o projeto estagnado, o dr. Humberto resolve juntar uma nova equipe e recomeçar a empreitada.
Em 1978, com linhas harmoniosas e tendo influências de diversos carros esportivos de todo o mundo, nascia oficialmente o primeiro SM. Um veículo com Ar Condicionado, bancada em couro, rodas de liga-leve 15 polegadas, desembaçador elétrico, partes cromados no motor, freio a disco nas quatro rodas, motor Chevrolet 250S 4.1 litros - 6 cilindros e tração traseira. Alguns anos depois, o SM ganha vidro e retrovisores elétricos, direção hidráulica e as versões: Cupê e conversível.
Considerado até hoje o melhor carro esportivo fabricado no Brasil, o SM foi a vitória final do dr. Humberto e sua filha, Ana Lídia, afinal, como tantas outras pequenas fábricas de veículos fora-de-série nacionais, a Companhia Industrial Santa Matilde não surgiu para produzir automóveis. As especialidades iniciais da empresa eram componentes ferroviários, estruturas e produtos agrícolas, até que por capricho de um apaixonado por carros com desempenho, lançou os cupês mais sofisticados e potentes de sua época.
(Fotos: Google)
sábado, 17 de agosto de 2013
Opala - Um mito nacional
Um dos carros mais cultuados na história automotiva brasileira, de 1968 a 1992, desenvolvido e fabricado no Brasil para ser sonho de consumo e o propulsor de muita história para contar.
São Paulo, 19 de Novembro de 1968, depois de dois anos gastos na elaboração do projeto, enfim, a Chevrolet Brasil exibe no salão do automóvel o veículo que combinava a carroceria alemã do Opel Rekord C e Opel Commodore A, fabricado de 1966 a 1971, com a mecânica norte-americana do Chevrolet Impala. Nascia então o maior clássico da nossa história automobilística, que foi batizado com soma das marcas Opel + Impala: o Chevrolet Opala.
Durante todo o período em que esteve em produção, exatos 23 anos e 5 meses, foram oferecidas duas opções de motores: 4 ou 6 cilindros, tanto para as versões básicas, quanto para as luxuosas ou esportivas, que poderiam ser o cupê 2 portas, ou o sedã 4 portas. Todos os motores usados no Opala foram derivados de motores da Chevrolet norte-americana.
O Opala SS, a versão de caráter esportivo do Opala, foi lançado em 1970 e estreava o motor 4100 que tornou o Opala o carro mais rápido do Brasil, à frente do Dodge Charger R/T e do Ford Maverick GT. A sigla "SS" significa Separated Seats (Bancos Separados), embora a sigla "SS" tenha objetivo de conferir um perfil esportivo ao Opala, no qual um pacote de elementos decorativos incrementava o visual do carro. Daí vem a outra definição popular para a sigla: Super Sport.
Em 1975, a linha Opala ganhava a versão SW (Station Wagon) chamada Caravan. Desenvolvida a partir da carroceria do Opala, trazia maior espaço para bagagem, com as mesmas opções de motores que equiparam as versões sedã e cupê, inclusive a versão Caravan SS, que poderia ser equipada com os motores 250-S e 151-S.
No ano de 1980, o Opala passou por uma grande mudança de estilo a fim de se adequar à moda das formas retangulares dos carros nos anos 80. Um novo desenho da frente e da traseira, com faróis e lanternas retangulares, embora a parte central da carroceria fosse a mesma das versões anteriores. A partir daí, seguiram alguns retoques em detalhes estéticos, e aprimoramentos mecânicos, até o fim da sua produção. Nessa época também surgiria a famosa versão top-de-linha Diplomata, na qual um pacote de itens de luxo equiparia a toda a família Opala
Toda essa força garantiu ao OPALA um lugar de destaque nas competições esportivas. Entre 1979 e 1993, com motores 4.1, carburados, à álcool e com modificações que geravam até 340cv, o Opala foi o carro do principal campeonato de turismo monomarca brasileiro, a Stock Car Brasil.
Após atingir a marca de 1.000.000 de unidades em 1992, a GM anunciou o triste fim da produção do Opala no país. Nos dias de hoje, não é de se admirar que um carro, que já nasceu grandioso, tenha conseguido tantos admiradores e que esses admiradores continuem a se esforçar para manter acesa a chama da grande história do Opala em nossas lembranças.
(Fotos: Google)
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